Velório do fogo
Tempos bonitos, que um dia brilharam entre retinas Uma luz inesquecível que marcou quem tu és Uma tocha formidável que você se responsabilizava todos os dias De cuidar, de zelar, de manter Com os mais variados meios e combustíveis Uma tocha olímpica, uma verdade absoluta Que aquecia o coração, e clareava a visão Muitas sombras por essa tocha puderam ser apagadas Muitas outras puderam ser esclarecidas E o vento, forte e absoluto, não pairava longe a chama Nem apagava aquilo que ela clareava Nem escondia em sombras o que aparecia Mas meus punhos fraquejaram Andei por ruas e estradas procurando algo que eu nunca encontrei Um motivo maior, uma força major Mas meus punhos fraquejaram Tentei manter em pé a haste do amor Mas meus punhos fraquejaram Eu tentei. Ninguém nunca poderá dizer que não tive forças Os ventos tomaram conta Para onde esse fogo todo pode me levar? Uma caminhada que eu mesmo cativei E me fez, no fim da estrada Encontrar meu próprio velório. Eu tentei.