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Velório do fogo

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Tempos bonitos, que um dia brilharam entre retinas Uma luz inesquecível que marcou quem tu és Uma tocha formidável que você se responsabilizava todos os dias De cuidar, de zelar, de manter Com os mais variados meios e combustíveis Uma tocha olímpica, uma verdade absoluta Que aquecia o coração, e clareava a visão Muitas sombras por essa tocha puderam ser apagadas Muitas outras puderam ser esclarecidas E o vento, forte e absoluto, não pairava longe a chama Nem apagava aquilo que ela clareava Nem escondia em sombras o que aparecia Mas meus punhos fraquejaram Andei por ruas e estradas procurando algo que eu nunca encontrei Um motivo maior, uma força major Mas meus punhos fraquejaram Tentei manter em pé a haste do amor Mas meus punhos fraquejaram Eu tentei. Ninguém nunca poderá dizer que não tive forças Os ventos tomaram conta Para onde esse fogo todo pode me levar? Uma caminhada que eu mesmo cativei E me fez, no fim da estrada Encontrar meu próprio velório. Eu tentei.

Contemple as Estrelas: o nascimento de Solidão.

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Sabe, quando pequeno eu amava observar o céu. Observar cada estrela, cada ponto cintilante, cada galáxia e cada poema, cada história que o mundo podia me contar. Alguns famosos pensadores nos disseram que o céu é o reflexo da nossa alma. Cada estrela, cada luz que de muito longe chega até os nossos olhos, é um pedaço de uma história. Um pedaço de alguém, que há muito tempo já não pisa entre nós.  Sempre gostamos de pensar o céu como uma noção de um acalento. Seja espiritualmente, seja mitologicamente, as estrelas abarcam o desconhecido. Abarcam aquilo que já não podemos mais ver – mas podemos sentir. Sentir é uma coisa incrível, não é? O ser humano é fascinado pelos sentidos. Contemplar as estrelas sempre me trouxe algum tipo de emoção.   É o desconhecido. O vislumbre do mistério. A certeza de que algo já estava aqui muito antes da fagulha de pensamento que um dia viria a se tornar eu. E olhar para o mistério é assustador.  Conforme o tempo passou, o céu deixou de se...

Um ensaio poético sobre a caridade

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Pela fenda nascente observava o mundo. E em cada sol poente, tons de vermelho e castanho encantavam meu olhar. No tear dos pensamentos, tecia o lençol: linho branco, forjado do algodão, cândido, que cobria a onisciência. Filtro que retardava a consciência. Bela fotografia, mostrada num girassol. E em escuros navios que vagavam pelo céu, o linho preto no meu quarto não me fazia réu. Tecia aranhas sob o sótão do pântano, afogava mágoas em reza e quebranto. E ao abrir os olhos, cada nuvem virava fumaça. Hoje o sol continua a se pôr… Talvez em vermelho, talvez em castanho, talvez em amarelo. Eu lá tenho tempo pra reparar na cor? O “saber” é uma prisão, prisão de vento: mórbida, feroz, que te faz de cabresto, que te joga em meio aos cipós. Eu sou bom, um bom amigo, um bom conselheiro, uma boa pessoa. Eu agrado aos comerciantes, que nessa viagem me contratam como comediante . Sou um alguém. Um alguém distante, que sempre está em pé para ouvidos, mas poucas vezes… para ser ouvido. Mas...

A Dialética entre Semelhanças: Racionalidade, Funcionalismo Humano e as Sombras do Pessimismo

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  A raça humana, segundo os estudos que até hoje se desenvolveram, seria a única dotada de algum tipo de racionalidade abstrata. Somos “evoluídos”, somos “pensantes” ou, como alguns preferem dizer, somos “racionais”. Desde os primórdios do desenvolvimento de algum tipo de conceito sobre o que somos e, principalmente, quem somos, a convivência entre a espécie foi um fator complicado. Nesse ponto de vista, atentemo-nos a outras espécies que coabitam o planeta Terra. Nenhuma vive, potencialmente, em total harmonia. Na verdade, é dentro desse certo caos biológico onde, de algum modo, se desenvolve uma harmonia.  O que se pretende dizer nesta instância é que a ordem nunca foi um fator humano. A convivência com diferenças sempre instaurou algum tipo de anormalidade comunicativa entre cada um de nós — quase que um sistema onde lidar com a diferença é como engolir agulhas. Em ponto de partida inicial, este texto não buscava, de modo nenhum, adquirir um caráter científico ou informativ...